| Patrocínio 'precoce' pode minar futuro de jovem estrela santista Terça, 3 de Julho de 2007, 00h05 por www.portalesportivo.com.br
Jean Chera, de 12 anos, jogador das categorias de base do Santos, assinou um contrato de publicidade com a Umbro, empresa que também fornece o material esportivo do clube. Chera é a mais jovem aposta da marca inglesa no futebol, mas a pressão que esse tipo de acordo pode gerar sobre o atleta preocupa especialistas.
"Ele ainda é um menino e está assumindo uma responsabilidade que não condiz com sua idade. A pressão que esse tipo de notícia pode exercer sobre o garoto pode acabar com a carreira dele. Ele é muito jovem e ainda não tem condições psicológicas para lidar com isso", explica a psicóloga Rosângela Casseano.
O garoto "surgiu" como nova promessa do futebol brasileiro antes mesmo de completar dez anos, junto com outra revelação do time paulista, Neymar, esse três anos mais velho. Os jogadores apareceram como os possíveis substitutos da geração de Robinho e Diego.
Os pequenos atletas do Santos foram procurados por diversos veículos de imprensa e despertaram o interesse de clubes do exterior antes mesmo da profissionalização. O ápice dessa trajetória, que mal começou, acontece com a assinatura de um contrato individual com uma marca multinacional.
Para a psicóloga Rosângela Casseano o clube precisa ter uma atenção especial com o jovem talento. A profissional explica que qualquer insucesso durante essa fase de aprendizado pode acabar com a motivação do jogador e encerrar precocemente sua carreira.
Já existe uma cobrança de que ele tem que ser bom. Tem que ser sempre o melhor. E ele é muito jovem para isto. Com 12 anos uma criança mal sabe se vai querer mesmo seguir na carreira de futebol e, no caso dele, essa se tornou a única possibilidade", disse a psicóloga.
Rosângela, especialista no gerenciamento de carreiras, não só no esporte, conta que 90% dos homens que a procuram, quando questionados sobre seus primeiros sonhos profissionais, desejavam ser jogadores de futebol ou bombeiros. O interesse por outras profissões só surge, na maioria dos casos, na fase intermediária da adolescência, os 16 anos.
Para evitar que o garoto tenha problemas futuros, a psicóloga afirma que o clube terá que ter um cuidado especial com Chera.
O ideal seria um acompanhamento constante por parte de psicólogos com conversas semanais. Ele precisa de alguém constantemente o lembrando que ele ainda é um garoto e não deve se cobrar como profissional. E esse trabalho tem que incluir a família, para que a cobrança em cima do menino não comece em seu lar".
O gerente de planejamento, projetos e negócios do time alvinegro, Dagoberto Fernando dos Santos, conta que o Santos já possui uma preocupação nesse sentido. Segundo o dirigente, o clube busca formar grandes cidadãos e não só grandes atletas.
"Nós nos preocupamos bastante com a formação de nossos jogadores. O clube possui profissionais que realizam um trabalho de acompanhamento constante com nossos garotos. E, no caso do Chera, estamos traçando um planejamento especial para que ele não seja afetado por influências externas", explica Dagoberto.
O planejamento santista contempla o trabalho de um psicólogo, que além de acompanhar todos os atletas da base realiza um trabalho individualizado com Chera, e a participação das assistentes sociais do clube, cobrando bom desempenho na escola.
"O Marcelo Teixeira [presidente do clube] cobra muito que nossos jogadores da base continuem estudando. As assistentes sociais do clube têm que passar relatórios mensais do desempenho escolar dos nossos meninos. O trabalho com os meninos é no sentido de criar grandes homens no futuro, independentemente de eles seguirem a carreira como jogadores", finaliza Dagoberto. Fonte: Cidade do Futebol |