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PL Tiro Livre DiretoPaulo Leandro - Portal Esportivo
Da bicicleta à pedalada
por Paulo Leandro


Nunca mais vi meu querido amigo e professor César Leiro, frequentador, junto a seu pai, dos jogos do Ypiranga, e entusiasta da pesquisa de esportes, como forma de contribuir para a academia entender melhor a relação do desporto com a sociedade.

O esporte massivo, de alto rendimento, não é exatamente a praia do professor, que lidera o Grupo de Mídia, Esporte e Lazer (MEL) da Faculdade de Pedagogia da Universidade Federal da Bahia.

Por isso, ao ver a galera, crianças, jovens, maduros, andando de bicicleta em alta, em Lençóis, na Chapada Diamantina, me veio à mente a lembrança do trabalho dos companheiros pesquisadores do MEL.

É muita saúde que se ganha ali a cada pedalada. Dá pra ver no semblante dos ciclistas toda a felicidade que a posse do guidom ajuda a construir na rotina destas pessoas. Fico até com pena dos planos de saúde particulares, esta mina de ouro.

Mina de ouro esta da qual somos a pedra a ser extraída, uma vergonha que o país aceite a humilhação de ver seus trabalhadores pagando os olhos da cara para ter oportunidade de ser bem cuidado e evitar a rede pública.

BICICLETOCÍDIO

Agora, que fui rebaixado ao SUS (nem cartão fiz ainda), posso sentir mais na pele a baixa estima que rola quando a pessoa deixa de ser atendido na rede privada e passa a viver sob ameaça do atendimento na rede pública.

Pois uma boa pedalada diária pode evitar precisar ficar usando cartão de todo tipo, seja público ou privado. O risco maior, talvez, seja esbarrar em algum obstáculo e precisar de atendimento em ferimentos, mas quem pedala com atenção não dá esses moles.

Fernando Gabeira, quando candidato a presidente em 1989, pelo PV, na primeira eleição depois do fim da mais recente ditadura, tinha como proposta básica para o esporte a instalação de bicicletários pelo país.

Em Lençóis, poderia funcionar bem e evitar a circulação de carros que os letárgicos como este amigo de vocês insistem em utilizar no centro histórico e nos bairros da cidade, poluindo o ar e o som, além de arranhar o visual.

Já em Salvador, é bicicletocídio a pessoa querer se locomover nestas duas rodas da saúde. Para quem está desgostoso, acha que a vida tem sido madrasta tipo a da Cinderela, vale a pena investir na bike pois é morte certa.

DIFERENÇA

Exceto, claro, se a pessoa sai em grupo e instala aquelas luzinhas para sinalizar que ali vai um ser humano andando de báike. Mesmo assim, corre risco. Tem também a orla, ainda no tempo de João Durval governador, eu acho, se não me falha a memória.

As maiores intervenções positivas na orla ainda são daquele tempo, há umas três décadas, e ali dá também pra andar de báike. Tem também nosso parque de Pituaçu, reserva ecológica que permite altos rolés de bicicleta.

Quem curte báike, pode baixar aí na internet o som do mesmo nome, do Pink Floyd, cujo ritmo lembra mesmo a vibração de uma série de pedaladas. E é engraçado que a jogada criativa mais recente do futebol brasileiro leva este nome.

Aqui, no entanto, uma ressalva: pensar o futebol hoje é pensar também que a pedalada é o que há de melhor e mais recente. Muito pouco. Passar o pé sobre a bola em direções contrárias, seguidamente, para enganar o marcador, é pouco.

Imagina quando se inventou a chilena, ou a bicicleta... epa! Eis toda a diferença entre os tempos. Fomos capazes de, um dia, inventar a bicicleta inteira. Hoje, nos contentamos com uma mera pedalada.

Tem jeito não: comecei com esporte de participação, o ciclismo, e terminei com esporte massivo e alto rendimento, o futebol. Desculpa, prof. César.

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