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PL Tiro Livre DiretoPaulo Leandro - Portal Esportivo
Golden Piauí
por Paulo Leandro

A emoção do golaço de Cristiane, na vitória apertada de 1x0 sobre a Nova Zelândia, foi forte porque faltavam só cinco minutos para o final do jogo, mas o coração pulou mais mesmo nas duas vitórias do judô que sabiamente a Record transmitiu direto.

Cristiane deu o presente pra Formiga, que completou ontem 100 jogos de muita batalha pelas cores do Brasil Mulher com a bola no pé. Formiga fez o de sempre: destruiu o pouco que a Nova Zelândia tentou criar e deu algumas assistências, nada de excepcional.

Teve um bom passe para cruzamento de Fabiana e uma tabela com Ester que levaram perigo. Cristiane foi premiada pegando um rebote da goleirona neozelandesa depois de insistir em duas ou três cabeçadas e um chute que levou perigo.

Marta jogou direitinho, mas pelas críticas dos comentaristas da Record, entre os quais Renê Simões, o Brasil jogou o futebol de resultado, pelo regulamento, até o empate seria bem-vindo. As alas, segundo os comentários, não funcionaram bem.

No segundo tempo, até que Fabiana foi bem e parece que Maurine tem seu futebol prejudicado porque o pé bom dela é o direito e ela está jogando na esquerda. De um modo geral, o Brasil mereceu ganhar porque tem mais talento. A Nova Zelândia é só vontade e tática.

RAPAZ

Bonito também foi ver o brasileiro Felipe Kitadai compartilhar seu bronze com todo mundo que o ajudou, namorada, treinadores, preparadores, o clube Sogipa, enfim, uma medalha merecida também pelo caráter que o judoca demonstrou ser super-dotado.

Olha só que humildade: “fico até com vergonha porque eu mesmo não acreditava em mim mas com a força deste conjunto todo eu me superei”. Bronze é pouco pra um sujeito capaz de reconhecer diante de um microfone mediático tanta limitação e dificuldade.

Ele lutou seis vezes no dia do seu aniversário até conseguir ganhar o bronze ao derrotar o italiano Elio Verde. O pessoal da Record está de parabéns por aplicar didatismo na transmissão e explicar o placar, o yuko funcionando mais ou menos como o gol do futebol.

Não sei se antes não tinha notado direito, mas foi a primeira vez que percebi como os treinadores dos judocas participam bem pertinho da disputa, com orientações próximas ao tatame.

Kitadai valorizou a escola gaúcha do judô, tentando logo agradecer a João Derli, e botou este esporte, uma vez mais, entre os que melhor representam o país nas competições olímpicas, ainda que não seja tão massificado como o futebol. O rapaz saiu chorando e beijou o tatame.

GRAVETINHO

No crescente das emoções que tomaram conta do almoço do brasileiro, a piauiense Sarah Menezes, 22 anos, venceu a romena Regina Dimitru, 29. Sarah pareceu bem concentrada desde o início da luta.

Ela derrotara antes uma belga. Atual campeã olímpica, a romena sentiu o braço direito num agarra-agarra logo no início da luta, e sofreu um yuko antes do wazari e do estrangulamento no capítulo derradeiro.

Sarah é da capital do Piauí e ganhou uma medalha que o Brasil não conquistava desde Barcelona, em 1992. Foi o terceiro ouro da história do judô brasileiro em olimpíadas e o primeiro das mulheres judocas.

A vitória foi supercomemorada pela treinadora que saiu aos gritos, batendo no peito, agarrada à pupila que tornou-se heroína olímpica e provavelmente terá portas abertas no mercado mediático de publicidade e propaganda.

Por ser do Piauí, Gravetinho, como um tio a chamava, tem ainda mais importância, porque representa um grito, um chamado, um convite, para o Brasil tornar-se um país mais pleno, dando vez a seus recantos com menos desigualdade.

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