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Agora, haja explicação!

Buraco.jpgFonte Nova, 6 de março de 1971. Seis mortos, dezenas de feridos, segundo dados oficiais. Era a reinauguração do estádio ampliado com o anel superior. O presidente Emilio Médici veio ver a rodada dupla Bahia 1x0 Flamengo e Vitória x Grêmio.

De repente, durante o jogo do Vitória, o Grêmio já vencia, quando alguém gritou "tá caindo!": um helicóptero teria passado mais baixo e o resto, o clima de insegurança vivido pelo país no auge da ditadura militar instalou o pânico entre os torcedores.

Fonte Nova, 25 de novembro de 2007. Um buraco se abre no anel superior inaugurado 36 anos atrás, sob tragédia. O vácuo engole sete torcedores. Outros ficam feridos depois de resolverem invadir o gramado para festejar o acesso do Bahia à Série B.

Agora, não será possível restituir a vida aos tricolores que a perderam. Todas as autoridades e dirigentes encontrarão ótimas desculpas para ficar fazendo o rodízio de argumentos que serão colhidos e divulgados pelos profissionais especializados da mídia.

Para os adeptos do sistemão tricolor, vale mais lembrar que o ano começou com a campanha Público Zero e terminou com um público tão grande que a velha arquibancada nem suportou. Abriu-se o clarão da morte e de lá despencaram os sete.

Neste grupo de fãs do sistemão, ainda vale mais pensar no título da Terceirona, que viria com uma vitória sobre o Crac, já que o ABC deve vencer o Bragantino para conseguir sua vaguinha entre os quatro da Série B. E a dor das famílias dos mortos?


TUFO DE GRAMA




O fato de ter subido de forma bem estratégica, garantindo um empate sem gols em casa, diante do Vila Nova, não atrapalharia em nada o delírio de deixar para trás o sofrimento da Série C. Mesmo a morte dos colegas não impediu muita gente de se alegrar.


Para quem faz campanha aberta contra o diretor da Sudesb, melhor oportunidade não haveria de chamar à responsa o ex-jogador Bobô, tido como o maior ou único responsável pela conservação do estádio. O objetivo não é esclarecer o que ocorreu, mas desgastar o campeão.

No momento de se badalar casa-cheia, na perspectiva de empolgação do público, o que conta mesmo é a audiência, o aumento das vendas, as mãos esfregando pela sensação de ganhar mais dinheiro, os olhos saltando igual no desenho animado em busca da fortuna. Segurança é um "detalhe" que nem entra na pauta. Vale mais atiçar a galerona.

A farra da invasão de campo teria recuperado uma velha prática encerrada quando se decidiu copiar o estilo norte-americano de premiar os campeões em palanque. A galera invadiu para tomar conta de seu território, levar um tufo de grama, uma lembrancinha.

Teve gente que exagerou. Os tempos são outros. Todo mundo anda agressivo. Terminaram quebrando os bancos de reserva, depredando equipamentos. Era só pra abraçar os heróis e tomar um par de meião ou um calção. A camisa, eu nem sei se valia.

A camisa era meia estranha. Azul, parece que com os números em amarelo. Se a camisa do Vila é vermelha, por que o Bahia não jogou com o uniforme que o identifica com sua etnia? Terminou o time goiano jogando de branco e o Bahia, de padrão azul-esquisito.


CRIANÇA




O xaréu também funcionou. Xaréu parece que é um peixe pequeno que anda em cardumes numerosíssimos. É assim que se chamava o acesso do público que não podia pagar ingresso e entrava no finzinho do jogo. Ontem, deram uma liberada no xaréu.

Tudo isso e até o empate sem gols, em casa, com Nonato perdendo pênalti e tudo, diante do Vila, davam motivo para comemoração, sabe como é a torcida do Bahia, aprendeu a ser festeira e queria mesmo se livrar deste ambiente de terceirona. O trio já esperava.

Mas o fim precoce para os sete tricolores que não poderão ver seu time na Série B de 2008 e nem voltaram para casa ontem é dor demais para toda a torcida baiana. É luto fechado. Depois da tragédia, a Fonte Nova foi interditada. Agora, tome-lhe explicação.

Para uma segurança elogiada em países de primeiro mundo, por conta da organização da festa-gigante chamada Carnaval, a liberação geral de ontem causou até estranheza. Por muito menos, já se pediu que o Barradão fosse fechado. Muita gente para uma estrutura tão frágil.

Seu Roberto é quem tá certo. Quando veio morar num apartamento de décimo-primeiro andar, a primeira coisa que ele fez foi mandar colocar as tais redes de proteção pois sabe que criança não tem juízo. Quando a gente vai aprender a prevenir antes de chorar?

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