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Quibe Nascif

Texto: Gabriela Nascif

Edição: Paulo Leandro

Culinária - Quitute

Família Nascif prepara o verdadeiro quibe árabe

Quibe Nascif

Emigrantes do Líbano ensinam baianos a provar delícias do Oriente

Ao cair da tarde, entre uma cervejinha e outra, lá está ele, o bolinho frito, de carne e trigo, nutritivo e gostoso. É o quibe, o quitute que veio das arábias para vencer o acarajé na disputa pelo paladar dos baianos.
Uma das principais divulgadoras do quibe é a dona de casa Conceição Nascif, 56 anos, descendente de família libanesa que veio para o Brasil em 1914, fugindo da Primeira Guerra Mundial. Adepta do quibe por tradição familiar, ela recebeu da mãe, Maria, esta apetitosa herança, tão simples quanto deliciosa: como preparar os bolinhos.
Conceição já participou da Semana Global do Empreendedorismo, promovida pela prefeitura de Camaçari, onde montou um estande para vender quibes. Seguindo à risca a receita da culinária árabe, ela disse que o quibe congelado dura até seis meses, e o quibe cru é indicado consumir no mesmo dia.

EDUCAÇÃO

Todo mundo sabe que o quibe é muito apreciado em festas de aniversário, casamentos, nos camarotes do Carnaval em Salvador e até nas rodinhas de amigos. Mas o quibe Nascif, segundo seus apreciadores, tem algo a mais.
Sandra Nascif, 51 anos, é irmã de Conceição, e mora em Aracaju. Ela diz que não "teve infância" porque na época dela a criação, era "rígida". Aos 12 anos, ela já ia para a cozinha fazer arroz, feijão e bife, além, é claro, do bom quibe árabe.
Foi a receita do quibe que fez Sandra perceber o quanto aquela educação rigorosa teve seu lado positivo. Hoje, ela tem prazer em preparar o quitute, junto com grão-de-bico, quando reúne a família e os amigos. "O segredo é como preparar a massa e a maneira que a gente frita", entrega.

QUERO MAIS

O quibe é tão sedutor que o empresário Edson Nascif, 39 anos, irmão de Conceição, gosta de ir para a cozinha, de avental e tudo, para preparar o alimento. E garante: "quentinho com pimenta, é impossível comer um só".
O estudante Raimundo Fernando, 29 anos, é freguês. "O quibe é leve, composto com ingredientes de primeira qualidade e é bem apimentado", disse. Ele acha que o bolinho Nascif tem um toque especial, que só quem sabe é que faz.
Outra admiradora é a auxiliar administrativa Nilzete Dultra, 42 anos, que trabalha no Centro de Medicina Humana (CMH), em Camaçari. Ela encomendou o salgado para a festa de aniversário da filha Amanda. "Ela acha o quibe Nascif muito gostoso, delicioso e tem gosto de quero mais", disse.
Claudemir Santana, 30 anos, técnico em informática, atribui o sucesso do quibe ao fato de "a fritura ser diferente, o que dá mais sabor".

No cardápio, tem charuto,
grão-de-bico e bacalhau

Conhecedora da culinária do Oriente Médio, além do quibe, dona Conceição prepara as mais variadas iguarias, como o charuto, que é como se chama o arroz cozido com carne moída enrolada em uma folha de couve.
Também conhece o preparo da salada de grão de bico com bacalhau e ervilha, além do verdadeiro quibe árabe, cru, assado ou frito. Ela afirma que, desde os 12 anos, ela e os irmãos se revezavam nas tarefas de casa.
Na cozinha e na arrumação da casa, só não lavava roupa. "Ela revela que o segredo do quibe é a mistura de pimenta cominho moída, cebola roxa e trigo, na medida certa", ressalta Conceição.

Encomendas
Travessa 2 de maio, 167, Bairro 2 de julho, Camaçari, (71) 3621-2731.

Preços
Ela vende o quibe a R$ 0,80, tamanho festa, e R$ 1,50, o grande.

O segredo

"Tem que usar pimenta cominho pura e a gordura tem que ser bem quente e, quando colocar o quibe, tem que baixar o forno. Se colocar na gordura fria, ele quebra todo".

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