| Bom Censo para o IBGE por Diego Ludovice Por: Diego Luduvice "Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou. Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas". O trecho da música "O Homem na Estrada" dos Racionais Mc's resume o processo de contagem da população brasileira, chamado Censo Demográfico e que é realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. O censo ocorre de dez em dez anos e além de obter o número da população, faz um retrato de corpo inteiro com o levantamento do perfil da sociedade. Informações como situação habitacional, movimentos migratórios, fecundidade, força de trabalho, nível de instrução e rendimentos individuais e familiares, também são coletados durante o censo pelo IBGE. Enquanto a agente censitária supervisora Jéssica Santos, percorria seu setor no bairro de Tancredo Neves, os moradores da localidade saíam das residências para saber do que se tratava. Segundo Jéssica, a comunidade fica curiosa e faz várias perguntas, questiona o trabalho e dão opinião. "Normalmente me perguntam se trabalho pra Coelba, se vou cortar a luz deles ou se vou trazer melhorias para a região", afirma a agente. No entanto, em outras regiões nas quais a violência e o tráfico de drogas são parte da realidade social dos moradores, o acesso é complicado. Edelson Assis, que trabalhou na supervisão da contagem dos domicílios na localidade da Engomadeira conta: "logo quando cheguei na primeira rua para cadastrar as casas, os traficantes me encheram de perguntas e um deles armado ordenou que eu não entrasse ali". Como existem policiais que trabalham disfarçados nesses lugares, os marginais desconfiam de qualquer pessoa. "Os caras ficaram tão cismados, que acharam que o PDA (computador de mão) era máquina fotográfica. Além disso, tomei um chute na perna. Foi quando eu decidi pedir desligamento", completa Edelson. As dificuldades são latentes, porém as histórias ficam marcadas na vida desses trabalhadores. A cordialidade das pessoas nos bairros populares, convidando os funcionários do IBGE para tomarem suco e almoçarem em suas casas. O acolhimento das pessoas nas ruas ajudando os agentes censitários a se localizarem dentro dos setores. Os cachorros que latem e correm atrás dos funcionários. Lama, escadarias, barrancos, indivíduos armados, ruas alagadas e ladeiras intermináveis fazem parte da realidade dos agentes. Dados do Censo - Esta é uma mega operação envolvendo cerca de 180 mil pessoas que são contratadas temporariamente para coleta de dados, supervisão, administração, informática e apuração dos resultados. A complexidade se estende no número de pessoas entrevistadas. No total, são 200 milhões de cidadãos pesquisados e aproximadamente 60 milhões de domicílios visitados. O total dos municípios brasileiros abordados são 5.565 mil nas 27 unidades Estaduais, incluindo o Distrito Federal. Para suprir esta demanda, foram instaladas 538 agências de coleta de dados nas principais cidades. No Censo Demográfico 2010 será utilizado pela primeira vez os PDA´s (computadores de mão equipados com GPS), informatizando todo processo de levantamento estatístico, programado para início na data de referência em primeiro de agosto. Esses dados provam que o Censo Demográfico é a maior pesquisa estatística elabora no Brasil e a mais importante, pois através dessas informações que os governos nas esferas federal, estadual e municipal, definem os repasses de verbas para as respectivas cidades e estados. E a população o que pensa do Censo? - As opiniões são diversas. Algumas pessoas julgam o trabalho desnecessário, afirmam ser perda de tempo e dinheiro. "O governo gasta mundos e fundos e após o Censo só vemos promessas. Todo Censo é a mesma coisa. Ficam sabendo da nossa realidade e nada é feito para melhorar nossa condição", reclama Mauro Silva, 43 anos, morador do Tancredo Neves. Em contrapartida, existem aqueles mais otimistas. Confiantes na coletagem dos dados, que busca retratar como vivem e moram a população brasileira, alguns contribuem com o trabalho dos supervisores e recenseadores na esperança de haver melhorias para a comunidade. "Não podemos desanimar e achar que tudo está perdido. Temos que fazer nossa parte respondendo as perguntas certinho, sem mentiras. O governo sabendo das nossas carências é que poderá olhar por nós", afirma a dona de casa Celina Borges, 47 anos. |
