Inspirado pelo texto do talentoso amigo Marcelo Sant’Ana, que escreveu sobre as chances do Bahia na Série B, resolvi fazer o mesmo exercício com o Vitória.
É possível acreditar numa recuperação do Leão na Série A? Pessoalmente, sou pessimista em relação a vaga na Libertadores 2009, mas seguem alguns números para animar a torcida do rubro-negro baiano. Ainda há muito campeonato para ser disputado.
OS TIMES QUE FICARAM EM 4º DESDE 2003:
2007: Fluminense - Pontos - 61 (53,5%) - Total de 38 rodadas
2006: Santos - Pontos - 64 (56,14%) - Total de 38 rodadas (O Paraná foi 5º com 60 pontos)
2005: Palmeiras - Pontos - 70 (55,55%) - Total de 42 rodadas
2004: Palmeiras - Pontos - 79 (57,24%) - Total de 46 rodadas
2003: São Caetano - Pontos - 74 (56,06%) - Total de 46 rodadas
HOJE, EM 24 RODADAS:
Vitória: Pontos - 37 (51,38%) (Total de 24 rodadas) Botafogo: Pontos - 42 (58,33%) (Total de 24 rodadas)
A fórmula do campeonato de pontos corridos é infalível: nem sempre garante os louros às equipes que jogam mais bonito, mas premia contantemente os times mais organizados e estruturados. Depois de passar rodadas na briga pelas primeiras colocações, cada um em sua Série, Vitória e Bahia caem na real e devem começar a lutar por objetivos mais palpáveis.
Confesso que fiquei chocado com o desempenho da dupla Ba-Vi no início do Brasileiro, mais até com o tricolor, na fraca Série B, do que com o rubro-negro, na surpreendentemente equilibrada e forte (mas sem brilho) Série A. Nunca imaginei que no meio do campeonato o Bahia estaria tão distante da zona de rebaixamento. Sorte e competência de Arturzinho e Comelli por terem montado o time para atuar na base de contra-ataques e jogadas de bola parada, equilibrando assim a falta de qualidade do plantel.
Já a proximidade do Vitória da zona de classificação para a Libertadores é também inesperada, mas de um clube estruturado, com um craque (Marquinhos), um bom estádio e que está de bem com sua torcida a gente sempre pode esperar algo a mais. O time tem jogado com disposição, mas não dá para competir com os elencos de São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio. Até mesmo Botafogo, Flamengo e Internacional têm mais potencial que o time baiano.
E nada de querer diminuir aqui os méritos das duas equipes e a satisfação de seus torcedores. Não é o desempenho dos sonhos de tricolores e rubro-negros, mas não é nenhum papelão, pelo contrário. Ambos terminarão o Nacional mais respeitados em com melhores prognósticos em relação a 2009.
REBAIXAMENTO
Na Série B, não vejo muitas esperanças para CRB e América-RN. Para mim, abraçados com os nordestinos ainda caem os candangos Gama e Brasiliense. Na elite, o Ipatinga está fadado a jogar com o Bahia no ano que vem. Apostaria minha fichas em Portuguesa, Figueirense e Náutico para completar a lista de rebaixados.
LIBERTADORES E SÉRIE A
Grêmio (barbada), Palmeiras, Cruzeiro e São Paulo são meus palpites para as vagas na Libertadores. Corinthians (outra barbada), Vila Nova, Avaí e Santo André serão adversários do Vitória em 2009.
Muito reclama-se da escalação de três volantes no meio-de-campo da Seleção em detrimento de um time com mais jogadores de criação. Enxergar que a equipe de Dunga é limitada ofensivamente é obrigação de qualquer torcedor ou jornalista, mas é preciso esclarecer que os defeitos do escrete canarinho vão bem além das funções originais dos atletas em seus clubes. Falta sobretudo postura tática e um correto posicionamento dos 11 titulares em campo.
Há tempos que a figura do cabeça-de-área não é apenas daquele jogador capaz de marcar seus adversários como um carrapato, um atleta com muito fôlego e força, desses que botam medo em quem está do outro lado do campo. Hoje o perfil do volante é diferente, principalmente em se tratando de Seleção Brasileira. São em sua maioria jogadores versáteis, capazes de jogar pelas laterais do campo e nos espaços vazios criados pela movimentação de meias e atacantes.
Veja por exemplo a Argentina da Copa América, que até a final contra o Brasil era considerada o melhor time da competição. Jogava bonito e para frente com Cambiasso, Veron e Masquerano. Pegue a Itália campeã mundial, com Camaronese, Gatuso e Pirlo (para não incluir Perrota, também volante). Não era um primor no ataque, mas o time funcionava direitinho. O mesmo vale para a Seleção Brasileira campeã em 1994, com Mauro Silva, Dunga e Mazinho.
A diferença dessas equipes aí acima para o Brasil de Dunga está na postura adotada em campo. Enquanto Argentina e Itália adiantam suas linhas para pressionar a saída de bola dos adversários, a nossa Seleção parece um bando em campo. Há um abismo entre os atacantes (+ Diego) e os nossos volantes. Este posicionamento facilita a vida dos oponentes e impede o Brasil de produzir mais contra-ataques, já que não há a necessidade de muita movimentação dos zagueiros e laterais adversários na hora de sair com a bola.
No caso do jogo contra o Paraguai, o erro de Dunga foi também no posicionamento de Gilberto Silva, muito próximo aos zagueiros. Nesse tipo de esquema, além da necessidade de uma marcação mais adiantada, ao menos um dos últimos defensores deve atuar na sobra dos volantes. O que aconteceu foi que a sobra foi feita (mal feita, diga-se) o tempo todo por Gilberto Silva. Lúcio e Juan bateram cabeça por 90 minutos todo porque Cabañas e Santa Cruz estavam sempre próximos deles e não precisavam sair para fazer espaços no meio ou nas laterais.
É preciso dizer também que o maior talento da Seleção está fora da equipe. Kaká é insubstituível e faz muita falta. Para não falar na criatividade hibernante de Ronaldinho. Acho também que Dunga comete um grande equívoco ao manter Gilberto Silva no time. Mesmo que o volante aumente a força do Brasil nos lances de bola aérea, ele não tem mais a mesma mobilidade e multifuncionalidade de quando atuava no Atlético-MG ou no início de carreira no Arsenal.
Hoje, contra a Argentina, o time precisa atuar mais compacto, deixando menos espaços entre cada setor. As entradas de Júlio Baptista (volante de origem, meia no Real Madrid) e principalmente de Anderson (meia de origem, volante no Manchester United) são uma boa premissa de que a equipe se portará melhor em campo. Sem falar que a motivação e o apoio da torcida deve fazer também uma grande diferença. Gostaria muito de ver o time com Mineiro, Elano (ou Daniel Aves), Anderson e Diego (ou Júlio Baptista). Suas características se completam e acontecria uma natuaral melhor ocupação dos espaços, tanto defensivamente, quanto ofensivamente. Vamos aguardar para ver. Mesmo com toda pinta de que vai dar tudo errado hoje, se tivesse que apostar minha vida, minhas fichas iriam no Brasil.
Perdão pela falta de comentários nas duas rodadas passadas do Brasileirão, mas me recuso a falar de jogos que não vejo por inteiro. Não acho certo ser analista de melhores momentos e daqui de Montreal é difícil assistir regularmente aos confrontos da dupla Ba-Vi. Posso até elogiar o posicionamento dos times nos lances mais importantes, ou ainda avaliar a qualidade de um belo chute ou de uma mirabolante defesa, mas nada disso é a história da partida. Então, foi mal pela incosistência das duas últimas semanas, mas hoje estou de volta.
Vamos começar pelo Bahia, que já viajou derrotado para Criciúma, mas contrariou qualquer tipo de prognóstico e trouxe de Santa Catarina um resultado muito além do esperado. Não apenas pelos três pontos e pelo afastamento da zona de rebaixamento para a Série C, mas pela mudança de postura da equipe, bem diferente das rodadas anteriores. O tricolor surpreendeu ao adiantar a marcação em boa parte do primeiro tempo, aproveitando-se da fragilidade da saída de bola dos catarinenses. Os golaços também ajudaram a aliviar a barra da equipe que no segundo tempo tratou de segurar o resultado.
Ficou claro para mim que foi a troca de atitude quem levou o time ao triunfo, porque não vi nada de diferente na qualidade da equipe com a bola nos pés. Muitos erros de passes e cruzamentos precipitados. Poucas finalizações e momentos de profunda falta de inspiração por parte dos meias-armadores. Ávine mostrou-se mais uma vez útil, mesmo fora da lateral (muito bem ocupada por Adilson, por sinal), e foi uma pena seu terceiro cartão amarelo. Seja pela motivação extra em agradar o novo treinador ou pelo olho clínico e bom papo do técnico debutante, podemos confiar a vitória de sábado à re-estréia de Arturzinho no comando do tricolor.
Subindo de divisão e de nível no quesito futebol (para que fique bem claro, meu amigo Paulo Leandro!!!), o Vitória fez contra o Santos uma partida bem mais contundente do que aquela em que goleou o Figueirense no Barradão, na terceira rodada. O Santos não é o mesmo do ano passado, mas ainda assim é um time mais qualificado e organizado que os catarinenses. O alvi-negro paulista foi totalmente dominado pelo rubro-negro, principalmente na etapa inicial, quando ambos os times tinham 11 jogadores em campo. Consistente, a equipe baiana soube aproveitar a força da sua torcida e só deu sopa para o azar nos minutos derradeiros, quando Kleber Pereira, de cabeça, quase tirou os três pontos do Leão.
Claramente o Vitória relaxou em campo ao ficar com um homem a mais aos 7 minutos da etapa final, na injusta expulsão do santista Wesley. Viáfara mais uma vez esteve seguro e cada dia mais faz a torcida esquecer tanto a má quanto a boa fase do ex-titular Nei. No ataque, Dinei mostrou novamente oportunismo e deixou sua marca, mas o destaque do jogo foi sem dúvida Marco Antônio, que faz da bola parada do rubro-negro uma arma letal.
Os bons resultados do fim de semana não ofuscam as limitações dos times baianos nas Séries A e B. Tanto o Vitória, quanto o Bahia seguem com elenco e futebol suficientes apenas para não cair de divisão. Nesse ponto, aliás, o rubro-negro está um pouco a frente do tricolor, mesmo atuando contra adversários mais fortes.
Bahia e Vitória não apresentaram muita coisa de diferente na segunda rodada do Brasileiro. Contudo, por mais contraditório que possa parecer, o empate arrancado pelo rubro-negro contra o Sport é muito mais motivo para comemoração do que os três pontos que o tricolor trouxe na bagagem após o triunfo sobre o fraquíssimo América-RN. Afinal, o time pernambucano é semifinalista da Copa do Brasil e não poupou nenhum de seus titulares no confronto de Leões. Já a equipe principal dos potiguares…
A torcida rubro-negra precisa celebrar também a excelente estréia do goleiro Viáfara, principal responsável pelo empate sem gols em Recife. Nei, que foi consistente na campanha da Série B do ano passado, não repetiu em 2008 o bom desempenho. No sábado, o arqueiro colombiano foi seguro nos 90 minutos, salvando o Vitória com alguma defesas difíceis e passando tranquilidade para sua defesa. Para mim, existiu falta de Leonardo no gol que daria o triunfo ao time baiano, mas é daquele tipo de lance que o árbitro só marca em raros momentos (vocês sabem do que estou falando) e o torcedor tem toda razão de reclamar.
Já o Bahia deu pena de ver em campo. Muitos passes errados e várias oportunidades de contra-ataque desperdiçadas. Isso para não falar dos gols perdidos, cara-a-cara com o goleiro. O time jogou com raça e a defesa fez sua parte novamente. A bola parada do Bahia é forte e me arrisco a dizer este tipo de jogada será a grande razão para o tricolor se manter na Série B. Sonhar mais do que isto só mesmo se Galvão mostrar faro de gol e o meia que vier abasteça o ataque com mais consistência que Elias e Ananias.
Enquanto isso, no primeiro mundo do futebol brasileiro, nenhum time disponta como favorito ao título. Minhas apostas continuam com aqueles clubes com mais estrutura e elenco equilibrado, como São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, Fluminense, Flamengo e Internacional, com vantagem para os três primeiros. Na Série B, uma vaga é do Corínthians, muito acima dos seus concorrentes. As outras três, impossível previr. Gama e América-RN estão fadados ao rebaixamento.